O “Conhecer-se”pela Ayahuasca

Estava mexendo em alguns textos antigos meus e encontrei um que escrevi há mais de 10 anos e resolvi ler e republicar. Trata-se da minha experiência pessoal com o chá de Santo Daime/Ayahuasca. Recomendo a leitura.

Daqui pra baixo é o texto original, publicado em 2007 em um antigo blog:

Breve relato de uma das experiências mais extraordinárias que um ser-humano pode passar em sua vida: Conhecer-se.  


Se eu soubesse pintar, eu teria pintado um quadro parecido com esses durante a onda alucinógena.

Não tive coragem de publicar esse texto, apesar de tê-lo escrito em 26 de novembro de 2006, um domingo, logo após tomar ayahuasca, o chá de Santo Daime. Mas como o assunto de hoje é esse, lá vai. Espero poder ajudar àqueles que estão morrendo de curiosidade sobre o tão falado Chá de Santo Daime.

Estava conversando com um amigo, falando sobre como eu estava me sentindo estranho, fumando muito, bebendo e tal. Eu estava em desacordo com o meu corpo. A mente estava legal, mas o corpo não estava aguentando. Ele me convidou para tomar a Oaska. Disse que talvez me ajudaria. Fui correr atrás do que significava aquilo. Descobri algumas coisas que me deixaram com mais dúvidas. Mas buscando informações com pessoas e sites relacionados fiquei fascinado.
Em minha pesquisa sobre o chá, conheci Silvia, uma colombiana que morava no Acre. Índia, artesã e estava passando uma temporada em Minas Gerais com a família antes de mudarem-se para o Mato Grosso. Eles me tiraram muitas dúvidas e acabei por tomar. Fiz todo o ritual que me ensinaram, rezei… Tudo sozinho, dentro do meu banheiro.

Muita gente já deve ter ouvido falar da bebida. É um chá, frio, feito pela decocção de duas plantas da região amazônica, o cipó Mariri, e as folhas da Chacrona e utilizado em um ritual de purificação e muitas vezes taxado como droga. O nome da bebida é Ayahuasca, também conhecida como Oasca, Vegetal, Santo Daime entre outros, variando da região onde é utilizado. Geralmente, para se referir a Ayahuasca, utiliza-se o nome de pessoas famosas que já utilizaram ou frequentaram a União do Vegetal (nome do movimento religioso).

Na verdade o que é a Ayahuasca?

Uma bebida muitíssimo amarga de aparência que varia do marrom amarelado ao marrom escuro, que se toma após oração de agradecimento seguida de um pedido. Na trdição, ela tem o efeito de mostrar a quem está bebendo, a sua verdadeira identidade ao colocar a pessoa em contato consigo mesma (subconsciente), assim é possível perceber ou que está errado na condução da sua vida, faz perceber suas qualidades, enfim, torna você consciente de sua sensibilidade humana.

Efeitos

Ainda segundo a pesquisa, li que a Ayahuasca não é um alucinógeno (eu, particularmente, discordo), apesar de produzir o que clinicamente caracteriza alucinações (percepção não registrada pelos sentidos físicos, em especial as de conteúdo metafórico individual). Seus defensores preferem utilizar o termo enteógeno, uma vez que seu uso se dá em contextos litúrgicos específicos. Eu, acredito que o contexto não altera a classificação alucinógena.

Espiritual ou não, a característica alucinógena da Ayahuasca deve-se à presença, nas folhas da Chacrona, de uma substância enteógena (DMT), produzido naturalmente (em doses menores) no organismo humano. O DMT é destruído pelo organismo por meio de uma enzima. No entanto, o Mariri bloqueia a ação da enzima, e que é um potente antidepressivo levando a uma alucinação intensificada e prolongada.

A Ayahuasca provoca muitas “alterações de consciência” sem causar danos físicos, inclusive atribuindo à substância propriedades curativas, como reativar órgãos danificados. De fato, não há dependência física conhecida.

O processo posterior à ingestão da Oaska é conhecido como Peia, surra de Espada-de-São-Jorge ou mesmo Bad Trip e é caracteriado principalmente pela super-sensibilidade que você passa a ter de si mesmo. Sente o corpo mais leve, praticamente flutuando. As imagens, sensações, músicas, palavras presentes no subconsciente vêm à tona e se misturam com o consciente. Temos a sensação de estarmos em algo irreal.

Eu posso afirmar tudo isso. Realmente a experiência é surreal. Eu não classificaria o chá como droga, tanto por não desenvolver dependência quanto pelo uso restrito a poucos grupos de associação religiosa. Eu tomei para tentar purificar o corpo, como um depurativo.
Eu estava me sentindo muito dependente do cigarro e carne. Deu certo. Um dia eu conto detalhes, como o bate papo com o Jô Soares e Caetano Veloso, a participação especial que fiz no Cirque du Soleil e sobre o lápis-sabonete. Mas a sensação é interesante. O pós é horrível: vômito, diarréia e uma sensação de estômago revirando.

Eu utilizei a oaska apenas com o intuito de me purificar. Rezei antes, agradeci pelas minhas conquistas, fiquei sem fumar e comer carne uns dias antes e tive ótimos resultados. Parei de fumar por muito tempo, quis me tornar vegano, mas voltei. Uma pena. Mais uma vez, eu não indico isso pra quem está apenas curioso, ok?

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