O Mundo está melhor. Nós é que não vemos

Nada mais comum que fazer análises e planos neste primeiro dia do ano. E comigo não foi diferente. Há meses estava pensando em voltar a escrever aqui no blog. Desde que saí do meu último emprego tenho escrito pouco. E para inaugurar esse retorno, pensei: “Por quê não fazer a minha própria análise?”.Não sei se é algo oficial, mas a percepção que tenho é de que o mundo está melhor. Não tenho a vivência de um senhor idoso para afirmar isso e, categoricamente, fazer comparações com as primeiras décadas do século passado. Meu conhecimento prático se limita ao período do fim da ditadura pra cá. Mas a história está aí para nos contar como tudo – ou quase tudo – funcionava.

A expectativa de vida subiu, a preocupação com a aposentadoria é real e urgente, doenças graves já têm cura, prevenção ou tratamento adequado, vivemos em um mundo em que, de maneira geral, não agimos por instinto e conseguimos pensar de forma analítica e com liberdade e temos muito acesso a quase tudo: informação, moda, conhecimento, saúde (apesar do caos), moradia (apesar de cara), empregos (apesar dos baixos salários), água e comida. Também estamos muito mais próximos do outro, construindo uma interação social cada vez mais intensa, sobretudo com a popularização das redes sociais e da comunicação móvel, o mundo e todo mundo cabem no bolso.

Sim, de fato o mundo está melhor. Mas ao mesmo tempo é paradoxal pensar desta forma porque ainda temos a impressão nítida e constante de que piorou. Eu, enquanto jornalista, atribuo essa sensação negativa à notícia ruim. O desastre, a morte, o massacre, o acidente e tudo o que é desgraça, é o que vende. E quase todo mundo compra. A diferença entre o número de notícias ruins, em comparação com a quantidade de informações positivas, é enorme. Basta acessar, por exemplo, os portais de notícias da sua cidade. A maioria das notícias, talvez a de capa, vai ser ruim. Até arrisco um chute: um carro capotado, ou o balanço de acidentes nas estradas no fim de ano.

Toda essa exposição negativa, associada à frustração de não ter conseguido realizar os desejos que se propôs em 1º de janeiro de 2016, à sensação de estar sendo constantemente ludibriado por aqueles que deveriam ser nossos representantes na política, a crise financeira fazendo tudo ir de mal a pior, às dívidas e à nossa frágil memória, nos fazem acreditar que vivemos em um mundo de horrores, que tudo está horrível, que estamos à beira do abismo e tudo está tentando nos empurrar.

Mas a saúde do mundo tem cura, e aparentemente está dentro de nós mesmos, na visão que temos sobre ele. Para mudar, basta buscar fortalecer a memória frágil com bons momentos, melhorar a sensação de impunidade na política ao aprender a votar e ter um pouco mais de interesse pelo que se faz lá, entender o assunto antes de criticar, deixar de ir na onda da maioria. Também melhoramos o nosso mundo quando buscamos resgatar uma fé esquecida. Isso não parece difícil, mas é. Mudar comportamentos construídos e firmados durante décadas é uma tarefa bem difícil, mas sem o primeiro passo, é ainda pior.

Que nosso 2017 seja feliz, e que possamos curar nossa visão, para de fato, vermos um mundo feliz. Encerro com uma frase de Jung:

“Você não se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas sim ao tornar a escuridão consciente. Esse procedimento é desagradável, portando, não popular”.

Feliz 2017. Feliz Mundo Feliz.

4 comentários sobre “O Mundo está melhor. Nós é que não vemos

  1. Leo Wanderley disse:

    Muito legal, esse conceito de reforço diferencial, de esforçar-se com o que importa, que são as experiências positivas da vida faz toda diferença! Escrevi a respeito do impacto das notícias e como a gente reage no meu post “Bom dia”.
    Em tempo: eu teria clicado no botão “curtir” se ele estivesse disponível!
    Um abraço e Feliz 2017

    • Cristiano Sobrinho disse:

      Hehe muito obrigado pelo comentário. A gente só tem essa visão otimista quando precisamos dela. Mudei minha vida drasticamente nos últimos meses e atribuo esse otimismo e essa clareza de análise a isso.
      Não sei como colocar o botão curtir. Vou tentar encontrar no código do WordPress. Um abraço, amigo.

        • Cristiano Sobrinho disse:

          Consegui! Meu blog não é hospedado pelo WordPress.com. Uso a plataforma WP, mas é self-hosted. Por isso dá um trabalhinho a mais integrar com a comunidade do “.com”. Mas agora parece que tá redondinho. Aliás, eu indico você fazer um self-hosted também. Muito bom ter a liberdade do domínio próprio e não precisar desviar das propagandas.

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