O Pecado e o Pecador: uma reflexão

Estou com uma dúvida cruel há alguns dias. Li uma frase: “Condene o PECADO e não ao PECADOR” e não consigo tirar isso da cabeça desde então.

Eu me considero uma pessoa boa. Não sei fazer mal a quase ninguém. E sempre que alguém faz uma cagada comigo, eu tento relevar. Mas como um ser humano comum, eu guardo tudo. Fico triste, penso demais no que aconteceu e quase morro. Mas tento manter o sorriso. O problema é que o mundo em que vivemos, está se transformando numa coisa que eu nem sei mais dar nome.
Em quantas pessoas você confia? Dessas, em quantas dessas você confia plenamente?
Sempre levamos tombos, e geralmente não tropeçamos sozinhos. Na maioria das vezes alguém te empurra ou puxa o seu tapete.

Voltando ao assunto sobre o pecado e o pecador, acho que eu sou espiritualizado o bastante para perdoar (ou esquecer) o pecador, e para entender que o pecado não existe, e sim, o LIVRE ARBÍTRIO. Nesse caso, o pecador tem como pena a CULPA, e não o medo de ir pro inferno (Que eu acredito que nem existe).
Não quero dar nenhuma conotação religiosa a essa minha análise. Mesmo porque, se Deus é tão perfeito, ele perdoa o pecador, aquele que cometeu o LIVRE ARBÍTRIO, também conhecido como pecado.

O mau do mundo é que ninguém quer saber de ninguém. A maioria das pessoas só quer pensar em si mesmas. A maioria. Não temos mais mártir algum. Ninguém quer ouvir ninguém. Ninguém sabe ouvir ninguém. Aos poucos as pessoas perdem a capacidade auditiva, e ao mesmo tempo, ela se torna cada vez mais seletiva.

Conversei com muita gente sobre essa tal frase. Alguns comentários foram tão superficiais que até a minha capacidade de ouvir ficou seletiva. Fica ainda a dúvida, mais complexa do que todas as outras que eu já tive: Deve-se condenar o pecado ou ao pecador?
Pensei mais ainda, mais e mais. Afinal, quem somos pra julgar? A nós ou aos outros?

Minha dúvida filosófica gerou outro questionamento: Existe alguém que preste nesse mundo ou vamos continuar quebrando a cara?

8 comentários sobre “O Pecado e o Pecador: uma reflexão

  1. Rodrigo Carvalho disse:

    Bom, eis uma dúvida cruel. Eu meio que me vi nesse texto!
    Pra mim, é como você disse, não me acho “bom” o bastante pra julgar ninguém. Já fizeram tantas coisas chatas comigo, tantos tombos e puxadas de tapete, mas eu sempre tento continuar acreditando que a pessoa errou, mas que não é tão ruim como parece.
    Sabe aquela história de sempre buscar o lado bom nas pessoas? É isso que eu procuro fazer.
    As vezes percebo que a pessoa é ruim muito tarde, depois de sofrer demais, mas isso também faz parte da vida e da nossa existência.
    Julgar é algo muito difícil, por isso prefiro não julgar os atos das pessoas e sim tentar perdoar, pois o perdão é sempre o melhor. Pelo menos ele me faz sentir mais leve e sem rancor no coração!
    Sigo em frente, tentando encontrar meu caminho, com tropeços sim, mas com muita coragem e fé nas pessoas!

    [Uia!… Acordei meio poeta hoje! kkk]

  2. Sr. da rua disse:

    Adoro textos complexos e que nos faz pensar.
    Na verdade concordo que a maioria das pessoas são egoístas, mas não acho errado ser assim. Amor próprio deve vir em primeiro lugar, mas o amor ao próximo também faz parte do amor ao próximo.
    Pecado?
    Não sei se acredito nele. Pois até hoje ninguém conseguiu definir o que é certo e errado.
    E quem é certo (existe certo?) suficiente pra condenar outrem?
    Na verdade todo mundo presta quando se olha no espelho. O difícil é saber o que os outros pensam.

  3. Leticia Becker disse:

    Cristiano parabens pelo texto!! Porem você me deixou com mais dúvida!! Quem somos nos para julgar? Pecadores mortais, que não usar o livre arbítrio como peça chava da vida!!

  4. Diego Araújo disse:

    Caro amigo,

    Você sabe que somos tudo aquilo que amamos e acreditamos, por isso não é possível nem necessário que minha análise escape da visão de católico praticante que sou. Sempre com respeito à liberdade de crença de cada um, espero contribuir como puder com a minha visão.

    Livre-arbítrio não é o mesmo que pecado. É a capacidade de escolhermos o que quisermos fazer de nossas vidas. Se, livremente, escolho o bem ou o mal, estou agindo por conta própria, exercendo esta minha liberdade. Ora, se Deus nos ama tanto, por isso nos faz livres para amá-Lo ou não de volta, caso contrário seríamos meras marionetes e não “filhos”, não é mesmo?

    O fato é que somente com Ele somos felizes. Porque somos criaturas feitas para Seu plano de amor, que só encontram o supremo bem, repouso e realização Nele. Durante a vida, tentamos de várias maneiras encontrar a felicidade. Todos os que cometem excessos, usam drogas, pisam nas pessoas pra alcançar poder, perseguem obssessivamente padrões de beleza
    querem o que afinal? Serem felizes! Mas no final do caminho só encontram a ruína, o vazio e a dor de machucar a si mesmas e os outros. Ou seja, “pecam”.

    Interessante notar que a palavra pecado tem origem no hebraico “hatta”, que significa “errar o alvo”. Ou seja, pecar é buscar a felicidade onde ela não está, longe de Deus. E a punição de quem peca nem sempre é a culpa, pois infelizmente sabemos que muitos fazem o mal sem o mínimo pudor. Não quero entrar em uma discussão mais profunda, que é a respeito do inferno. Geralmente, pensamos neste conceito como um lugar de fogo, sofrimento, “caldeirões de pecadores”, etc. Mas numa definição simples, podemos dizer que, na verdade, o “inferno” significa: o estado de espírito de quem OPTOU pela ausência de Deus.

    Enfim, sei que elucidações teológicas são interessantes (eu pelo menos gosto, rs), mas não trazem de fato o conforto para nossos corações. O que eu posso aconselhar, com toda a humildade e imperfeição, é que você procure sempre perdoar. Isso não significa fechar os olhos para o mal, mas ter a consciência de que os erros ferem a dignidade de quem os comete e, consequentemente, de toda a humanidade. Além disso, a mágoa que alimentamos quando sofremos um mal só prejudica objetivamente a nós mesmos. Tira o sono, dá ansiedade e gastrite. E digo por experiência própria.

    Quando nos propomos a amadurecer e aprender com as lições da vida, como eu sei que você faz, nosso olhar evolui. Passamos a “enxergar” melhor emoções e intenções. Saiba que ainda existem pessoas boas neste mundo, exemplos a se seguir, obras de amor que transpõem barreiras, atitudes de inspiração e coragem de onde menos esperamos. Deixe sempre uma chama de esperança acesa no seu coração. Que seja constante, mesmo que pequena. Pode ter certeza que seu olhar vai saber brilhar quando encontrar o bem.

  5. Viviane disse:

    Cris, muito bom seu texto, eh que inspiração!!! no meu ponto de vista, somos concientes de nossos proprios atos. E sabemos que toda ação gera reações….seja ela certa ou errada….e se o pecado existe é porque procuramos por ele….sendo assim o pecador é mais culpado que o pecado…rsrsbjs vi

  6. Edilene Barbosa disse:

    Nossa,que complexo porém belíssimo texto.Olha, penso que não cabe a nós esse julgamento,nascemos em pecado,então creio que ele faz parte de nós,querendo ou não,e por nós mesmos jamais conseguiremos nos afastar dele,mas para tanto temos um Consolador que está o tempo todo ao nosso dispor,só que para isso temos que buscá-lo e pedir para que nos fortaleça a ponto de vencermos o pecado e somente assim poderemos nos livrar desse “mal”.No mais, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo(e isso quer dizer a todos),nos faz merecedores do perdão. Compliquei ainda mais né?

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